Jornalismo on-line
Falar de jornalismo on-line implica, obviamente,
falar da Internet e das transformações que a tecnologia provocou e
provoca no jornalismo.
De facto, não restam dúvidas de que os meios de
comunicação tendem a aproveitar a evolução tecnológica. Essa realidade
não é de hoje. A imprensa modificou-se com a rotativa, o off-set e os
meios de paginação electrónica. A rádio transformou-se com a chegada do
transístor, com o RDS e está a sofrer transformações com o advento do
DAB. A televisão transformou-se com a melhoria dos sistemas televisivos e
está a sofrer grandes modificações com a interactividade, a alta
definição, os sistemas digitais e a convergência com a informática e as
telecomunicações. Não é, assim, de estranhar que o aparecimento da
Internet, uma rede de redes de computadores multimédia, tenha gerado
transformações no jornalismo. Essas transformações fizeram-se sentir,
essencialmente, a dois níveis: em primeiro lugar, nas rotinas
jornalísticas de produção de informação; e em segundo lugar, nas formas e
formatos de difusão de informação, ou seja, no produto jornalístico. O
jornalismo on-line não exterminou o jornalismo noutros media, mas
modificou-o, obrigando-o a uma adaptação constante, num processo que
Roger Fidler denomina mediamorfose.
A Internet é, neste momento, o meio de comunicação que mais torna visível a convergência dos media, ou seja, a integração dos media
num único suporte. Num futuro próximo, talvez este cenário se venha a
materializar na televisão interactiva, para onde também convergirá a
Internet, mas para já ainda não é assim, ou pelo menos a televisão
interactiva ainda não está suficientemente disseminada para que seja
assim. Ora, a Internet, enquanto medium convergente, possibilita
aos jornais a incorporação de recursos antes exclusivos das rádios e
televisões, sem modificarem a sua essência, já que o texto mantém-se
como o principal suporte da informação. Estudos comprovam que os
utilizadores não vêem como concorrentes as edições on-line e impressas
de um mesmo jornal, mas como complementares, e continuam muitas vezes a
comprar a versão impressa ainda que também consultem a versão on-line.
Aliás, vários estudos têm mostrado que em vez de perderem audiência com
as versões on-line, os jornais em papel ganharam novos leitores, que
foram conquistados, inicialmente, pelo apelo da informação jornalística
disponível na Internet.
A migração dos meios jornalísticos, e, em particular,
dos meios jornalísticos impressos, para o ciberespaço tem antecedentes
directos muito recentes. Fizeram-se tentativas de criar jornais, ou,
pelo menos, de difundir informação jornalística, através do videotexto,
do teletexto, do audiotexto, do jornal por fax e do jornal em CD-ROM.
No entanto, essas primeiras experiências falharam, segundo os estudos
que foram feitos, devido à falta de motivação da audiência por uma
tecnologia pouco atraente, cara e pouco amiga do utilizador. A
Internet, porém, mudou as coisas.
Os meios jornalísticos impressos, radiofónicos e
televisivos começaram a criar versões on-line a partir do final da
década de oitenta, nos Estados Unidos, mas o grande impulso ocorreu já
nos anos noventa. Os jornais foram os primeiros a migrar para o novo
meio, talvez porque percepcionaram a aparição da Internet como mais uma
ameaça à sua sobrevivência. O primeiro jornal diário a criar uma versão
on-line foi o San Jose Mercury News, em 1994. A grande inovação
trazida por este jornal on-line, além do acesso aos seus conteúdos do
dia, foi a possibilidade do leitor interagir com os conteúdos, através
de motores de busca e da navegação; de interagir com os jornalistas,
através do e-mail; e de participar em fóruns de discussão propostos pelo
jornal -
tudo receitas que ainda hoje se mantêm.
O facto de os jornais terem sido os primeiros meios
jornalísticos a migrar para a Internet contribuiu para o seu sucesso na
Rede, embora a dificuldade que rádios e televisões sentem para manter a
mesma qualidade na Internet, a custos suportáveis para a audiência,
também tenha contribuído para o sucesso da imprensa on-line, sobretudo
quando se compara o êxito da imprensa ao relativo insucesso da rádio e
da televisão on-line. A Internet também permitiu aos jornais
tradicionais disponibilizados na Rede a possibilidade de rentabilização
dos recursos humanos e financeiros, cobrando pelos acessos à informação
disponibilizada, sem necessitarem de arcar com as despesas decorrentes
da reprodução e distribuição de milhares de exemplares em papel. Além
disso, apesar da Internet ser um meio multimédia, o facto é que é o
texto, e não o som ou a imagem, o principal recurso procurado por quem
busca informação na Internet. Os jornais tradicionais também se foram
capacitando de que a sua sobrevivência, pelo menos a médio prazo, não é
colocada em risco pela emergência da Internet e pelas novas tecnologias
que substituem o papel.
A adaptação ao on-line não foi fácil. Por um lado,
surgiu a necessidade de se descobrirem as características da linguagem
do novo meio e de se adaptar o discurso jornalístico a essa nova
realidade. Por outro lado, os meios jornalísticos também sentiram a
necessidade de afectar recursos humanos e financeiros ao jornalismo
on-line e de capacitar os seus profissionais para o novo meio.
Inicialmente, os jornais em papel que migraram para o
ciberespaço quase apenas disponibilizavam on-line cópias das edições
impressas, com os objectivos de alargar a audiência, de aumentar o
prestígio e de ampliar o alcance geográfico. Por vezes, as cópias
disponibilizadas eram do dia anterior, pois havia receio de que versões
actualizadas pudessem afastar os leitores das edições em papel. Porém,
os jornais constataram que não bastava estar na Rede para terem
vantagens competitivas -
era preciso fabricarem um produto específico para a Internet. Assim,
numa segunda fase, os jornais começaram a incluir conteúdos e serviços
exclusivamente on-line e a inserirem hiperligações para o aprofundamento
da informação noutras páginas e sites e para acesso a registos sonoros e audiovisuais. Posteriormente, começaram a fazer a actualização permanente do noticiário.
Isto conduz-nos, obviamente, a algumas das
características que hoje em dia os jornais on-line ostentam, de forma
geral. De uma maneira sistemática, mas não exclusiva, poderíamos
descrever as principais características dos jornais on-line em torno de
alguns vectores fundamentais:
·
interactividade, ou seja, a possibilidade de o receptor
participar e interagir com o jornal e até de noticiar e funcionar como
fonte de informação; deste modo, assiste-se a um nivelamento do
jornalista com o leitor;
·
hipertexto, ou seja, a possibilidade de se estabelecerem
sucessivamente ligações entre textos e outros registos, o que torna o
consumo informativo individualizado;
·
hipermédia, ou seja, a união num único suporte de conteúdos escritos, sonoros e imagéticos, sejam as imagens fixas ou animadas;
·
glocalidade, ou seja, fabrico local mas alcance mundial;
·
personalização, ou seja, a possibilidade de o leitor interagir
sobre a forma e o conteúdo do jornal, para consumir unicamente o que
quer e como quer, dentro dos condicionalismos do software; os alertas
noticiosos, o recebimento de um jornal a la carte, o recebimento de
newsletters, etc. podem incluir-se na personalização;
·
instantaneidade, ou seja, a possibilidade de as notícias serem transmitidas no momento em que são finalizadas ou em directo;
·
apetência pela profundidade através da navegabilidade, ou seja, a
possibilidade de o utilizador aprofundar a informação consumida
navegando pela Internet de site em site e de página em página, usando
hiperligações.
Algumas das características dos jornais on-line
levantam questões e problemas de vários tipos. Por exemplo, o hipertexto
permite ao leitor decidir o seu próprio percurso pela informação,
deixando o jornalista sem controle da situação comunicacional, o que
poderá gerar significados não pretendidos ou enviusados para as
mensagens jornalísticas, que nem sempre são consumidas integralmente
pelo leitor. A instantaneidade põe em destaque o estreitar das
deadlines, o que representa dificuldades acrescidas para o jornalista em
termos de verificação da informação, contrastação de fontes, recuo,
contexto e vitória sobre o tempo. A interactividade pode gerar pressões
sobre os jornalistas e pode deixar o leitor frustrado quando não vê
satisfeitas as suas eventuais solicitações de comunicação. Mas se as
características dos jornais-on.line levantam problemas, também oferecem
novos horizontes ao jornalismo. A interactividade, por exemplo, permite
ao jornalista buscar a informação de várias maneiras, em mais locais e
junto de mais pessoas, em todo o mundo.
Na Internet, os jornais on-line não concorrem apenas com outros media,
mas também com outros sites. A lógica, porém, não é só de competição.
Também é de complementaridade. O leitor pode ter acesso à informação
que busca através de hiperligações colocadas propositadamente pelo
jornalista no enunciado.
O jornalismo on-line e o aparecimento da Internet
colocaram, como é visível, vários desafios e questões ao jornalismo.
Neste cenário, há, talvez, duas questões a que os académicos têm
procurado responder. A primeira delas prende-se com o futuro dos
jornais on-line e dos jornais em suporte papel. A segunda diz respeito
ao futuro do próprio jornalismo.
Vamos então à primeira questão -
os jornais on-line exterminarão os jornais em papel? A médio prazo
pode dizer-se que não. Estudos comprovam que a leitura no ecrã exige
cerca de trinta por cento mais de esforço dos olhos do que a leitura em
papel e tão cedo não teremos uma tecnologia de ecrãs ou de e-paper capaz
de contornar este problema. Além disso, o papel é portátil e
manuseável. A isto acresce que os jornais com versões impressas e
on-line também têm apostado numa lógica de complementaridade e não de
competição entre ambas, com a utilização de serviços on-line, como os
votos, os concursos e a consulta de anúncios de classificados, para
estimular a adesão aos jornais impressos. O investimento nos meios
on-line, por parte dos jornais tradicionais, tem sido, normalmente, bem
sucedido. As versões on-line dos jornais tradicionais de qualidade
contabilizam-se entre os sites mais acedidos, com tudo o que isso
representa em contrapartidas publicitárias. O sucesso das versões
on-line dos grandes jornais tradicionais é de tal forma grande que
alguns desses jornais já têm conteúdos pagos e conteúdos especiais para
assinantes. Mas o preço crescente do papel de jornal, o aparecimento do
e-paper e as crescentes potencialidades da informática e das
telecomunicações podem, a longo prazo -
embora não tão longo quanto isso-
contribuir para que o jornal de papel pouco mais venha a ser do que uma
peça de museu e para que o jornal on-line e personalizado ascenda ao
estrelato.
Passemos, agora, à segunda questão: qual o futuro do jornalismo, num cenário de convergência dos media cujos primeiros indícios se encontram na Internet e na primeira fase da televisão interactiva?
A Internet impôs ao jornalismo mudanças na busca, no
processamento e na difusão de informação. Os jornalistas usam a
Internet como fonte e como veículo de comunicação com os seus pares, as
fontes e os seus superiores. Já vimos, aliás, que o contacto com as
fontes pode ser mais intensivo, selectivo e abrangente, o que representa
uma vantagem importante. Porém, o excesso de fontes disponíveis também
pode representar um acréscimo de stress para o jornalista, na hora de
seleccionar fontes e informações e sob o estigma da concorrência. A
abundância de informação, incluindo a informação disponibilizada por
meios concorrentes, e de fontes na Internet coloca ainda ao jornalista o
problema da avaliação da fonte, no que respeita ao interesse,
veracidade e importância da informação e credibilidade da própria fonte,
num quadro de grande concorrência. A resolução deste impasse poderá
residir nas ferramentas habituais do jornalismo: a contrastação de
fontes, a rede de facticidade discursiva, a inquirição sobre quando a
informação disponível foi elaborada e disponibilizada. Mesmo assim,
corre-se o risco de se acentuar o recurso às fontes de rotina, devido à
falta de tempo para se avaliarem todas as fontes e informações
disponíveis mas relativamente desconhecidas do jornalista, que serão
cada vez mais.
A abundância de fontes e de informação é um dos
factores que incentivará o processo de especialização jornalística. Só
um jornalista crescentemente especializado e capaz de fazer análise e
associar ideias e informações poderá mover-se num cenário de
super-abundância de recursos informativos. Imaginemos, por exemplo, um
jornalista de ciência. Ao ritmo a que cresce a produção científica nos
dias que correm, nos diferentes domínios das ciências, será
manifestamente impossível para um cientista -
e também para um jornalista-
conhecer tudo o que é novo. No domínio dos estudos sobre jornalismo e
comunicação social, que é a área que mais directamente nos diz respeito,
a primeira revista científica, a Journalism Quarterly, nasceu
nos anos vinte, nos Estados Unidos; hoje estimam-se que existam vários
milhares de revistas científicas sobre comunicação, crescentemente
especializadas -
dedicadas ao jornalismo, às relações públicas, à publicidade, ao
marketing, aos estudos sobre comunicação e cultura, aos estudos sobre
comunicação em geral, aos estudos sobre comunicação visual, à história
da comunicação, à informação internacional, etc. Este cenário obriga,
claramente, a uma especialização crescente por parte dos cientistas e
por parte de quem selecciona e descodifica a informação para o grande
público, o jornalista, que necessitará, cada vez mais, de possuir
formação superior e de fazer formação ao longo da vida, o que nos
direcciona para qual deve ser o perfil curricular dos cursos de
jornalismo, discussão que não cabe neste colóquio.
A abundância de informações também exerce uma enorme
pressão sobre o campo jornalístico, no sentido de tornar mais elásticas
as suas fronteiras. Estudos comprovam que desde o advento dos primeiros
jornais se tem alargado o leque do noticiável e que este processo se
tem acelerado desde as duas últimas décadas do século passado. Como o
ciberespaço também é elástico, garantem-se condições para que haja mais
notícias, sobre mais temas, nos meios on-line, o que remete para o
leitor a tarefa de selecção. Não de uma selecção primária, mas sim de
uma selecção secundária, depois do filtro jornalístico. E é precisamente
devido à overdose informativa que a generalidade dos académicos, entre
os quais me incluo, acredita que o jornalismo como o conhecemos não
estará em perigo nos tempos mais próximos, apesar do campo jornalístico
também estar a ver diluídas as suas fronteiras em proveito da figura do
produtor de conteúdos e não apenas em proveito do aumento dos temas
noticiáveis. De facto, num mundo sobre-informado, torna-se premente
quem seleccione, processe, sintetize, organize e hierarquize as
informações, sendo esta a tarefa que desde sempre foi atribuída ao
jornalista e ao jornalismo e que, no futuro, com mais premência,
continuará a ser a deles.
O jornalista pode ter deixado de possuir a função quase exclusiva de gatekeeper
do espaço público informativo. Os jornais e os restantes meios
jornalísticos on-line competem com um número inquantificável de sites
onde é possível ir beber directamente a informação, sem passar pelo
crivo do jornalista. Assistimos à época da libertação dos conteúdos,
cujos primeiros indícios se notaram aquando do escândalo
Clinton-Lewinski. O escândalo rebentou no site de um jornalista
marginal, o Drudge Report, e só depois os grandes jornais e
revistas pegaram nele, apesar de alguns deles já terem a informação sem a
terem revelado. O relatório do procurador especial que investigou o
caso foi disponibilizado na Internet antes de ser tratado pelos jornais.
Mas tirando casos pontuais desse tipo, em que as pessoas recorreram a
fontes alternativas não jornalísticas ou para-jornalísticas para
encontrar a informação que lhes interessava, no dia a dia as pessoas
continuam a preferir -
e eu diria até a necessitar-
da informação seleccionada, avaliada, hierarquizada, organizada e
muitas vezes com uma mais valia de análise e de opinião que lhes é
oferecida pelos jornalistas e pelos meios jornalísticos. Por isso,
conforme destaquei, a concorrência entre provedores de informação na
Internet contribui para modificar o jornalismo, mas também é a sua
garantia de sobrevivência e de crescente qualidade.
A questão da qualidade do jornalismo on-line põe-se
também sob outro prisma: a do aproveitamento das potencialidades da
Internet e a da adaptação da linguagem jornalística às características
deste novo meio. Já dissemos aqui várias vezes que uma das coisas que a
Internet trouxe de novo foi a convergência mediática num único suporte.
Porém, estudos comprovam que raramente os jornalistas e os meios
jornalísticos tiram da Internet todo o proveito que poderiam tirar. As
notícias disponíveis continuam muitas vezes a ser apenas texto e não um
espaço multimédia, mesmo que assente no texto. Grande parte das imagens
e gráficos são estáticos. Os textos são muitas vezes longos,
ignorando que os diversos estudos que têm sido realizados sobre
legibilidade na Internet reforçam a ideia de que os textos devem ser
curtos e conclusivos, sendo acedidos através de hiperligações -
é ao utilizador que cabe passar de texto para texto, consoante a sua
necessidade de informação. Isto não impede que textos maiores e mais
densos não possam ser colocados on-line, inclusivamente para poderem ser
impressos. É óbvio que podem e devem, mas desde que sejam acessíveis
através de hiperligações incluídas em sumários dos mesmos. De qualquer
maneira, a ideia principal que eu queria transmitir é, como disse, a de
que os jornalistas e os meios jornalísticos tendem a não aproveitar
todas as potencialidades expressivas da Internet no fabrico da
webnotícia, mas é importante que o façam, ainda que isso exija esforço e
a aquisição de novas competências técnicas por parte dos jornalistas.
Isto leva-nos a outra questão já aflorada -
a da formação do jornalista em geral e do ciberjornalista em
particular. Um jornalista bem preparado, na actualidade, tem de dominar
a linguagem e a técnica de diferentes meios e de especializar-se em
determinados conteúdos, para poder encontrar a melhor informação num
espaço sobre-informado, o que implica uma reformulação nos curricula dos
cursos que formam jornalistas, ideia que, digo-o mais uma vez, não
quero aprofundar porque não é este o espaço ideal.
O ciberjornalista também tem de ser um jornalista
mais preocupado com o leitor. De uma forma ou de outra, o
ciberjornalista tem de ter mais presente o leitor na notícia, pois o
leitor não apenas determinará o sucesso ou insucesso do jornalista como
também poderá interagir mais com o jornalista e até com as fontes
referenciadas nas notícias e ainda determinará a sequência de navegação
entre a informação que lhe é oferecida em várias páginas e sites. O
ciberleitor é mais do que um leitor tradicional, pois é pro-activo e não
passivo ou reactivo. Aliás, o próprio medium lhe exige essa postura pro-activa, de interactividade forçada.
Finalmente, uma derradeira questão tem aflorado entre os académicos que se dedicam aos estudos jornalísticos -
o jornalismo on-line exige uma nova ética? A resposta mais comum tem
sido a de que os grandes valores jornalísticos devem ser reforçados -
o rigor, a intenção de verdade, a intenção de objectividade, os
princípios da verificação da informação e da contrastação de fontes,
etc. Talvez não haja, assim, nada de verdadeiramente novo no campo da
ética profissional, mas sim a reformulação da postura ética tendo em
conta as novas variáveis trazidas pelo ciberjornalismo. Por exemplo, se
o jornalista vai a um chat em busca de informações, deve identificar-se
como jornalista ou não? Que links devem ser colocados numa notícia?
Como ultrapassar o problema da instantaneidade e como e quando corrigir
informação falsa? Como distinguir informação de publicidade, reportagem
e aquilo que Manuel Carlos Chaparro chama reportagem de mercado? São
questões ao mesmo tempo novas e velhas que parecem confirmar que os
valores que norteiam a profissão de jornalista são os valores que a
devem nortear no futuro e que num mundo sobre-informado, no qual há
fortes pressões tendentes a diluir as fronteiras do campo jornalístico, a
imposição dessas fronteiras, desses limites, àquilo que é e não é
jornalismo, se torna ainda mais necessária
Jorge Pedro Sousa
Universidade Fernando Pessoa
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